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Consultadoria Internacional de Segurança
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A ÉTICA DO
GUARDA-COSTAS
DAR A VIDA PELO DIGNITÁRIO? |
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Os
guarda-costas, hoje conhecidos simplesmente como “seguranças” - numa
abreviação do que deveria ser “agente de segurança pessoal” - são figuras
presentes há muito na história da humanidade.
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Arrisco-me a dizer que a
função de segurança pessoal é realmente muito anterior ao conceito que hoje
denominamos de polícia, está provado que é uma das mais antigas profissões
da história.
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Hoje em
dia é uma das profissões mais discriminadas, a segurança pessoal amarga a
fama de ser um trabalho para pessoas de pouca inteligência; supostamente, o
homem mais inteligente contrata o mais forte, e consequentemente menos
inteligente para protegê-lo. E ficou assim estabelecido o estereótipo do
segurança “forte e burro”.
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Mas a
verdade é que a profissão nem sempre foi assim desprestigiada. Os
“protectores” da Mesopotâmia e a Guarda Pretoriana de Roma eram considerados
uma casta guerreira a elite, da qual somente os mais adestrados e nobres
guerreiros e faziam parte. O melhor exemplo de prestígio, porém, vem do
Japão feudal, da época dos Samurais, em que os Yojimbo, membros da
elite samurai encarregada da protecção do senhor feudal, eram os melhores e
mais respeitados de entre tantos guerreiros.
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Dentro
do código de honra dos Samurais, o Bushido, falhar para com o seu
senhor era motivo para cometer o suicídio ritual. Para os Yojimbo,
caso viessem a falhar e seu senhor fosse morto, depois de vingarem a sua
morte deveriam também cometer o Seppuku, ou seja, suicidar-se.
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Miyamoto Musashi, um dos mais famosos, senão o mais famoso samurai do
período feudal, escreveu que “o caminho do guarda-costas é a resoluta
aceitação da morte”. Para a casta samurai, era inaceitável viver com a
vergonha de haver falhado. A morte do mestre significava a sua própria; por
outro lado, dar a vida pelo seu senhor era o auge da honradez, e motivo de
orgulho para a família e os amigos daquele que se sacrificava.
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Como
podemos entender o código de honra samurai e as palavras de Musashi nos
tempos modernos? Será que os seguranças de hoje seriam capazes de dar suas
vidas pela de seus “senhores”, seus contratantes? Na maioria das vezes, não
existe compromisso algum entre contratante e contratado, salvo raras
excepções, que felizmente já tive oportunidade de experimentar, onde nutri
verdadeiro respeito e admiração pela pessoa que protegia.
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Mas a
ideia do sacrifício não se trata de adoração pelo dignitário, ou de mera
hipocrisia para valorizar a função do guarda-costas. A meu ver o carácter de
sacrifício inerente à função do segurança, na medida em que ele arriscaria,
e arrisca, sua vida, para garantir a protecção da pessoa a quem protege, é
uma questão ética.
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A ética
é um conceito difícil de ser explicado, mas basicamente é o sentimento mais
puro e simples de discernir o bem do mal, o certo do errado. Aplicada à
função do guarda-costas, portanto, a ética indica claramente que, se a
função do segurança é proteger o dignitário, é a vida deste, e não a do
guarda-costas, que é a prioridade.
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Não é
hipocrisia, repito, dizer que o guarda-costas daria a sua vida pela do
dignitário; se ele o faz, não é pelo dignitário, mas por si próprio, uma vez
que como profissional sério, a ética o conduz a arriscar-se para proteger o
dignitário em detrimento de sua própria segurança. O verdadeiro profissional
não suportaria viver com a vergonha de ter falhado, tal qual os samurais de
outrora.
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Enfim,
profissionalismo, ética e honra são conceitos que precisam ser reaprendidos
na sociedade moderna.
S.Falcão
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